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Sem Exército nem polícia, periferia da Grande Vitória pede socorro
Publicado em 2017-02-14 11:33:19




 

Nada de blindados, soldados do exército ou das Forças Armadas, tampouco policiais militares. Há 11 dias, a vida de moradores dos bairros periféricos da Grande Vitória permanece cercada pelo medo e pela insegurança. Devido ao número insuficiente de viaturas nas ruas, o patrulhamento ostensivo da polícia acaba sendo restrito às zonas nobres e aos locais de maior movimento das cidades. Longe da vida normal, quem fica de fora deste cerco ainda clama para ter sua liberdade de volta.
 
“Não sei como vou pagar meus funcionários, nem como fazer para eles voltarem a trabalhar. O Exército está em Laranjeiras, na Norte-Sul, mas nas periferias, dentro dos bairros, os bandidos continuam fazendo as mesmas coisas”. O desabafo desesperado é de um comerciante de Novo Horizonte, na Serra, que há mais de uma semana não trabalha.
 
Ele teve sua pizzaria invadida por cerca de seis homens, que atiraram no estabelecimento. Traumatizado, não sabe quando sua vida e a dos vizinhos será a mesma de antes. “Já somos a classe mais prejudicada, com poder aquisitivo menor. Nós precisamos trabalhar”, lamenta.
 
Em Nova Almeida, na Serra, José Domingos Vescovi, 60, tem fechado as portas de sua sorveteria assim que o sol se põe por medo. No local normalmente ficam 15 funcionários, mas ele tem dado conta de tudo com a ajuda de poucos. “Meus funcionários não podem vir. Eles moram em periferias, como Gaivotas, Serra-Mar, e lá também não tem policiamento, é perigoso mesmo”, conta ele, que também não vê sinais da polícia em seu bairro.
 
“Na segunda passada o ladrão bateu com o carro na frente da minha loja. Ele correu e houve até troca de tiros. Hoje cedo passou um caminhão do exército, mas ele só passou pela avenida e não voltou mais”, diz.
 
Depois de sete dias trancada em sua casa, em Santo Antônio, Vitória, a vendedora Eliene Dias, 45, decidiu sair ontem, ainda que com medo. “Não vi polícia na rua. Só estou com uma sensação de segurança porque tem gente, mas ainda estou com receio, porque não tem polícia”, frisa.
 
A mesma situação se repete em outras cidades, como Viana. Morador de Vila Betânia há 20 anos, o motorista Izaias Boecker Holander, 38, define o local como “um bairro fantasma”. Para ele, o fato de o policiamento e do Exército se concentrarem em algumas áreas faz com que criminosos migrem para as periferias, transformando todos em reféns. Assaltos e furtos de veículos não têm sido raros na região nos últimos dias.
 
“Minha filha mora a duas ruas da minha casa e eu não conseguia vê-la porque ninguém estava saindo. Não vemos policiais. Várias vezes ouvi tiros. Os ônibus voltaram a rodar e o pessoal tenta voltar à rotina, mas está sendo muito complicado”, queixa-se.
 
Força-tarefa diz que faz patrulhamento
 
As Forças Armadas e a Força Nacional, que formaram a “Força-Tarefa Conjunta Capixaba, informaram, por nota, que todos os bairros de Vitória, Velha Velha e Serra “estão sendo atendidos com patrulhamentos, inclusive os bairros periféricos e do interior”. E que fazem também o patrulhamento durante a noite.
 
Mas nem a Secretaria de Segurança do Estado (Sesp) nem a Força-Tarefa informaram quais bairros e o efetivo direcionado para esses locais. A Força-Tarefa acrescentou que o “ministro de Estado da Defesa definirá a alocação dos meios disponíveis, observada a prioridade do emprego”.
 
1.743 PMs já retornaram ao trabalho
 
Apresentaram-se para trabalhar ontem 507 policiais militares, em atendimento à convocação feita pelo governo do Estado. Ao todo, depois de 10 dias de paralisação, estão de volta 1.743 PMs. Antes, o efetivo diário era de dois mil homens nas ruas.
 
São policiais que estavam de folga, férias, são do serviço administrativo ou foram retirados do quartel de Maruípe, Vitória, no último sábado.
 
Nesta segunda-feira (13) circularam no patrulhamento 81 viaturas. Até o dia anterior eram 59.
 
Os que se apresentaram trabalham, por enquanto, oito horas diárias, sem folga prevista, por enquanto. Eles estão sendo divididos em duas escalas, uma a partir das 8h, e outra a partir das 16h.
 
Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), não há mais policiais no Quartel de Maruípe. Mas ainda há grevistas em outros batalhões.
 
A Sesp foi questionada sobre ações para garantir a segurança durante os desfiles do Carnaval de Vitória, que acontecem na próxima sexta-feira e no sábado. Também foi perguntada sobre a garantia da fiscalização sobre a Lei Seca. A informação é de que “o policiamento do Carnaval ainda está em planejamento”.
 
Reforçam a segurança as Forças Armadas e os homens da Força Nacional.
 
Polícia de volta
 
Policiais
 
Retorno
 
Apresentaram-se ao todo 1.743 policiais militares para trabalhar. Ontem 507 atenderam à convocação. E circularam 81 viaturas ontem no Estado.
 
Efetivo
 
O efetivo antes da greve era de dois mil militares por dia no Estado, entre os cerca de 10 mil existentes.
 
Escala
 
Horário
 
Antes da greve, a escala de trabalho era de um dia de trabalho seguido por três dias de folga. Hoje os policiais estão divididos em duas escalas. A primeira se inicia às 8h. A segunda, às 16h. Assim, o PM trabalha até meia-noite, quando a segurança fica a cargo da Força Nacional, das Forças Armada (Exército, Marinha e Aeronáutica) e guardas municipais.
 
Carnaval
 
Sem planos
 
O Carnaval de Vitória, na próxima sexta-feira e no sábado, está mantido, mas, por enquanto, não há planejamento de segurança para o evento, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).
 
Fonte: gazetaonline.com.br


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